terça-feira, 20 de agosto de 2013

Crime


Crime

 Marco Aurélio Baggio

 

        O crime compensa. E quando compensa, deixa de ser crime, passa a ser vantagem extorquida pelo criminoso à sociedade.

        O crime organizado é organizado a base de ordens, de intimidação, de atitudes coercitivas violentas; criando um feudo, um bando que se beneficia com um sistema ilícito de exploração montado.

        Nossa sociedade, insanamente competitiva e desapiedada, produz mais jovens perdedores, fracassados e excluídos do que ganhadores.

        O declínio do prestigio e a erosão do poderio do patriarcado contribui para o desmastriamento e a dissolução da vigência das boas normas que vem deixando de instruir o cidadão. Nossa geração, a de 55 a 85 anos, não conseguiu transmitir seu valioso código de valores para as duas gerações que a sucederam. Isso tem sido altamente desvantajoso para todos.

        Sem ilusões românticas podemos afirmar: o homem é um animal mau. Ele tem prazer em infligir o mal sobre outros seres humanos a que pode acossar. Goza e baba com os efeitos deletérios que sua maldade causa. Sádicos, usam seu poderio para infelicitar o outro. Essa é a forma torpe de afastar de si o amargo cálice da consciência de sua futura mortalidade.

        Masoquistas, gozam ao sofrer a maldade alheia, maneira espúria e comodista de transferir a responsabilidade de suas infelizes existências, culpando o perseguidor.

Bela e boa dupla de alienados, de desumanizados: matriz da maldade.

        O ser humano tem por dever escapulir da impiedade que vigora na natureza: nela prevalece a Matsyanyaya, a Lei dos peixes: o maior devora o menor. A lei do mais forte. A lei da selva. A lei do capital. Quem pode mais chorará menos.

        Buscamos adquirir ilusões e poder e prestígio e dinheiro para nos proteger do Outro-predador-irmão-inimigo.

       

O mal é compassado pelo brinquedo e pela brincadeira que estatui o objeto de transição, objeto de excitação e de interesse pelo mundo. Ao mesmo tempo, doma a imperiosidade narcísica egoísta e estabelece o vínculo adequado para com as asperezas e as contundências da realidade assim estabelece-se a multiplicidade das boas relações de objeto, que vem a constituir o patrimônio psíquico que dá gâ e estofo à pessoa.

        O mal é abarcado e equalizado pela manta do bom e do bem. Também é debicado pelo humor.

        É amortecido pelo trabalho e pelo dever.

        Pai e mãe tem por nobre função conduzir a energia pulsional maligna da criança. Ente ainda precário em constituição e insuficiente quanto a se bem transitar do ainda-não-sido em direção a realização do bem feito e da fazeção do prazeroso legítimo. É desta satisfação que acresce sua auto-estima e guarnece sua pessoinha.

        Cada ser humano deveria ter condições de atravessar de uma perfeição menor para outra perfeição maior. Não é o que para cinco sextos da humanidade acontece.
        Ah, vai vir um tempo em que não mais se usa pastorear a credulidade dos pobres de espírito nem apelar, fanaticamente, para a fé naquilo que, não existe nem deu qualquer evidência de sua presença.

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