Crime
Marco Aurélio Baggio
O crime
compensa. E quando compensa, deixa de ser crime, passa a ser vantagem
extorquida pelo criminoso à sociedade.
O crime
organizado é organizado a base de ordens, de intimidação, de atitudes
coercitivas violentas; criando um feudo, um bando que se beneficia com um
sistema ilícito de exploração montado.
Nossa
sociedade, insanamente competitiva e desapiedada, produz mais jovens
perdedores, fracassados e excluídos do que ganhadores.
O declínio do
prestigio e a erosão do poderio do patriarcado contribui para o desmastriamento
e a dissolução da vigência das boas normas que vem deixando de instruir o
cidadão. Nossa geração, a de 55 a 85 anos, não conseguiu transmitir seu valioso
código de valores para as duas gerações que a sucederam. Isso tem sido
altamente desvantajoso para todos.
Sem ilusões
românticas podemos afirmar: o homem é um animal mau. Ele tem prazer em infligir
o mal sobre outros seres humanos a que pode acossar. Goza e baba com os efeitos
deletérios que sua maldade causa. Sádicos, usam seu poderio para infelicitar o
outro. Essa é a forma torpe de afastar de si o amargo cálice da consciência de
sua futura mortalidade.
Masoquistas,
gozam ao sofrer a maldade alheia, maneira espúria e comodista de transferir a
responsabilidade de suas infelizes existências, culpando o perseguidor.
Bela e boa dupla de alienados, de
desumanizados: matriz da maldade.
O ser humano
tem por dever escapulir da impiedade que vigora na natureza: nela prevalece a Matsyanyaya,
a Lei dos peixes: o maior devora o menor. A lei do mais forte. A lei da selva.
A lei do capital. Quem pode mais chorará menos.
Buscamos
adquirir ilusões e poder e prestígio e dinheiro para nos proteger do
Outro-predador-irmão-inimigo.
O mal é compassado pelo brinquedo e
pela brincadeira que estatui o objeto de transição, objeto de excitação e de
interesse pelo mundo. Ao mesmo tempo, doma a imperiosidade narcísica egoísta e
estabelece o vínculo adequado para com as asperezas e as contundências da
realidade assim estabelece-se a multiplicidade das boas relações de objeto, que
vem a constituir o patrimônio psíquico que dá gâ e estofo à pessoa.
O mal é
abarcado e equalizado pela manta do bom e do bem. Também é debicado pelo humor.
É amortecido
pelo trabalho e pelo dever.
Pai e mãe tem
por nobre função conduzir a energia pulsional maligna da criança. Ente ainda
precário em constituição e insuficiente quanto a se bem transitar do
ainda-não-sido em direção a realização do bem feito e da fazeção do prazeroso
legítimo. É desta satisfação que acresce sua auto-estima e guarnece sua
pessoinha.
Cada ser humano
deveria ter condições de atravessar de uma perfeição menor para outra perfeição
maior. Não é o que para cinco sextos da humanidade acontece.
Ah, vai vir um tempo em que não mais se
usa pastorear a credulidade dos pobres de espírito nem apelar, fanaticamente,
para a fé naquilo que, não existe nem deu qualquer evidência de sua presença.
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